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Em poucos meses, nossa civilização descobrirá um novo mundo, diz funcionária da NASA

Daniel Mediavilla escreveu o seguinte artigo para o site ElPais, onde ele entrevista a geóloga colombiana Adriana Ocampo, que trabalha para a NASA como diretora do programa Novas Fronteiras (New Frontiers), e deixou seu parecer sobre o que podemos esperar num futuro próximo:

Em poucos meses, nossa civilização descobrirá um novo mundo

Adriana Ocampo, nascida na Colômbia, começou a trabalhar na NASA em 1973 ALVARO GARCIA (EL PAÍS)

Adriana Ocampo nasceu em Barranquilla (Colômbia), em 1955, apenas dois anos antes dos russos lançarem o Sputnik, inaugurando a corrida espacial. Durante a infância, passada na Argentina, ela já queria fazer parte daquela epopeia. “Desde menina meu sonho era trabalhar na NASA e comecei a fazer isso quase antes de me formar no ensino médio, em 1973, há muito tempo!”.

Desde então participou de muitos dos grandes projetos da agência espacial norte-americana e viu como nossa imagem do sistema solar mudou. Durante grande parte de sua vida, a imagem que tínhamos de Plutão era pouco mais do que uma mancha imprecisa, algo que mudou completamente com a chegada da sonda New Horizons, um projeto que faz parte do programa Novas Fronteiras da NASA, dirigido por Ocampo.

Na quarta-feira, essa geóloga nascida na Colômbia, que fala espanhol com sotaque argentino, esteve na Faculdade de Física da Universidade Complutense de Madri para discorrer sobre essa missão a Plutão dentro do ciclo Hablemos de Física.

É possível que Plutão seja um mundo oceânico, algo que não concebíamos anteriormente

Pergunta. A senhora começou colaborando em missões como as Viking, as primeiros sondas que pousaram em Marte, e agora dirige um programa que nos levou a Plutão com a sonda New Horizons e a Júpiter com a Juno. Como nossa visão do sistema solar mudou desde que a senhora chegou à NASA, há mais de quatro décadas?

Resposta. Graças às missões de exploração espacial, descobrimos que em nosso próprio sistema solar existe o potencial de nichos de vida em maior abundância do que se esperava. Fomos a Marte com as Viking com o objetivo de ver se pelo menos havia água líquida. Graças a essas missões e às que vieram depois, hoje podemos confirmar que existe água líquida no subsolo de Marte e identificamos três ingredientes fundamentais para a vida: material orgânico, água líquida e uma fonte de energia.

Com esses três ingredientes se dá o potencial para a vida ocorrer como a conhecemos, é algo provável. Nós o encontramos em uma das luas de Júpiter, Europa, e até mesmo em Ganímedes. Também estamos encontrando na maior lua de Saturno, Titã, e em Encélado. Lá vimos que há jatos d’água. Nessa pequena lua de Saturno também existem aqueles três ingredientes. Inclusive em Plutão. Quando o sobrevoamos com a New Horizons, ficamos surpresos que lá existe não apenas água na forma de gelo, mas também potencialmente líquida, no subsolo. É possível que Plutão seja um mundo oceânico, algo que não concebíamos anteriormente. É muito mais ativo do que pensávamos.

Isso nos abriu uma nova visão do nosso sistema solar, de onde antes pensávamos que a vida poderia se dar para onde agora sabemos que existe potencial que tenha se dado ou possa se dar inclusive agora na forma molecular. Na próxima década, dentro de nossas vidas, poderemos corroborar e descobrir se há vida em outros lugares, seja em nosso sistema solar ou na galáxia.

Quatro décadas atrás, não conhecíamos nenhum exoplaneta. Hoje existem mais de 3.500 confirmados. E o universo, como dizia Carl Sagan, é composto de bilhões de bilhões de galáxias. Estatisticamente, as probabilidades de mundos habitáveis são muito altas e responder a essa pergunta fundamental que todos nós fizemos enquanto civilização e enquanto espécie, se estamos sozinhos no universo, é um dos maiores presentes que a exploração está nos dando.

P. Juno, a sonda enviada a Júpiter, também está descobrindo facetas desconhecidas desse planeta.

R. Júpiter é como um sistema solar dentro do nosso sistema solar e a Juno abriu janelas para a compreensão do que está dentro. A Juno é uma nave única. Nunca tínhamos ido a um planeta gigante com painéis solares como fonte de energia. E a nave, com essa couraça que tem, esse cubo de titânio e alumínio que a protege das balas cósmicas que o grande planeta emite, conseguiu sobreviver e está operando perfeitamente. Estamos vendo que Júpiter tem um núcleo, algo que é muito importante, porque não sabíamos se tinha. Se pudermos entender a força por trás de Júpiter, por que emite mais energia do que recebe, talvez cheguemos a uma nova fonte de energia que em algum momento poderia nos ajudar aqui na Terra.

P. A New Horizons já está viajando em direção ao cinturão de Kuiper. Qual será a próxima coisa que nos mostrará?

R. Dentro de alguns meses a New Horizons sobrevoará um novo mundo que descobriremos juntos enquanto civilização. A NASA transmitirá informações e imagens na semana de 1º a 5 de janeiro de 2019, em tempo real. Vamos conhecer esse novo mundo que é um mundo binário e se chama Ultima Thule. Esse nome vem da mitologia nórdica. Era o nome dado quando se chegava ao último ponto e mais além estava o desconhecido. Fizemos um concurso em todo o mundo e este foi o vencedor. O nome foi dado informalmente, porque ainda não foi aprovado pela União Astronômica Internacional.

P. E a NASA também está indo para um asteroide?

R. A OSIRIS-REx está indo para Bennu. Esse asteroide é extraordinário. Não só tem o material mais primitivo, como é completamente preto. É feito como carvão, mas tem aminoácidos. Já conseguimos identificar isso por espectroscopia. Queremos ir. Agora, em setembro, a nave espacial começará a sobrevoa-lo em formação durante dois anos. Para depois se aproximar, dar-lhe um beijinho, extrair a amostra e trazê-la à Terra em 2023. Essas amostras estarão disponíveis para toda a comunidade mundial analisar. Será por competição de propostas e cientificamente pode nos ajudar muito a entender qual foi o papel que esses asteroides desempenharam na formação do nosso sistema solar e do nosso planeta. Inclusive o S de OSIRIS REx tem a ver com segurança, porque Bennu tem o potencial de ter uma trajetória de interseção com o nosso planeta.

P. Quando?

R. No fim do século. Temos tempo para nos preparar. Estamos aprendendo mais sobre as propriedades mecânicas trazendo uma amostra e se a partir daí tivermos que desviar a trajetória de um objeto como Bennu estaremos mais bem preparados para fazê-lo.

(Fonte)

Colaboração: Carlos Abreu


E essas são as coisas que eles nos contam. O que não nos contam é muito mais intrigante ainda.

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