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Veja porque enviar mensagens para os ETs pode sim ser uma boa ideia

A Telescópio Muito Grange ESO (VLT) durante observações, usando o sistema de Ótica Adaptativa (LGS), o qual permite aos astrônomos remover os efeitos da turbulência atmosférica (ESO/Serge Brunier)

Embora exista algum medo quanto enviar mensagens para hipotéticas inteligências extraterrestres, isto poderia ser uma das coisas mais importantes que a humanidade poderia fazer – falando cientificamente.

Estamos sós no Universo?  Humanos têm se perguntado esta questão por séculos, mas somente nas últimas décadas temos conseguido a habilidade de tentar encontrar a resposta.

Com o SETI – A Procura por Inteligência Extraterrestre – usamos rádio telescópios para procurar por sinais vindos de civilizações alienígenas. Este é um sistema relativamente passivo, onde sentamos e escutarmos por sinais que possam estar vindo lá de fora. Até agora (pelo menos oficialmente), ainda não conseguimos nada.

Por contraste, o “Active SETI”, chamado de Messaging Extra Terrestrial Intelligence – METI (Enviando Mensagens para a Inteligência Extraterrestre), é um sistema proativo de envio de mensagens para um local específico, com a finalidade de dizer “alô” e avisar aos astrônomos alienígenas em potencial que estamos aqui.

Mas o conceito METI é um tanto controverso. Alguns cientistas têm alertado que esta estratégia poderia ser perigosa, e o famoso físico teórico Stephen Hawking disse que alertar os alienígenas sobre nossa existência poderia ser arriscado. Hawking sugere que alienígenas avançados poderiam somente nos considerar como sendo bactérias perturbadoras, ou que a vinda de alienígenas à Terra poderia ser similar a quando Cristóvão Colombo chegou nas Américas, o que “não foi tão bem” para os povos nativos.

Contudo, alegações dos perigos sobre o METI são exageradas, diz Douglas Vakoch, um professor do Departamento de Psicologia Clinica do Instituto Califórnia para Estudos Integrais, e presidente do METI Internacional, uma instituição que tenta organizar os esforços de envios de mensagens para o cosmos. Ele disse ao Seeker:

Quando falo com outros cientistas sobre o risco potencial do METI, eles concordam que a percepção pública do perigo é exagerada. E isso é natural. Sabemos que nossos cérebros são programados para prestar atenção em imagens vívidas de perigo – mesmo quando o suposto risco não é credível. Assim, quando Stephen Hawking alerta que alienígenas poderiam dizimar os terráqueos, bem como os exploradores europeus conquistaram o Novo Mundo, essa imagem dispara nossos alarmes internos – mesmo se o cenários não seja logicamente consistente.

Vakoch diz que quando Hawking presume que de alguma forma extraterrestres avançados terão a habilidade de viajar entre as estrelas, mas eles não têm a capacidade de captar nossos sinais de TV e rádio que ‘vazaram’, isso realmente não faz sentido.

Já temos quase 100 anos de transmissões de rádio e televisão emanando de nosso planeta como radiação eletromagnética. Com esses sinais agora tendo viajado quase 100 anos-luz, a evidência de nossa existência já se espalhou pela galáxia. Com o nosso crescente banco de dados de exoplanetas conhecidos, agora sabemos que há milhares de planetas dentro do raio de 100 anos-luz. E é muito provável que alguns desses mundos sejam similares à Terra.  Vakoch ainda disse:

Qualquer civilização que tenha a habilidade de escutar nossas mensagens provavelmente já escutou nosso ‘vazamento’, assim eles já sabem que estamos aqui.

Uma imagem no site da METI Internacional sugere uma boa razão para enviar mensagens aos alienígenas: “Procurando pelo Universo para descobrir a nós mesmo”.

Então, por que absolutamente se importar com o envio de mensagens? Devido a ciência.

Quando considerando-se os prós e os contras do METI, Vakoch raciocina que é importante usar os princípios da ciência – e não argumentos emocionais – por várias diferentes razões.

Um princípio da ciência é a importância de continuamente olharmos as suposições que impulsionam nossas ações e se essas suposições não forem asseguradas, estarmos dispostos a mudar a trajetória. Vakich disse:

Não conheço quaisquer astrônomos que estejam na verdade engajados nas observações do SETI, achando que seja perigoso transmitir.  Mas quando até o mais brilhante cosmólogo do mundo [Hawking] evoca imagens que simplesmente não são plausíveis, criando temor que atrasa a pesquisa científica inovadora, precisamos dar um passo atrás e olhar para uma forma mais racional de avaliar a situação. É importante descobrir formas de seriamente considerar os riscos do METI, e não somente confiar em imagens apavorantes de conquista alienígena.

E na escolha de méritos de específicos projetos METI, deveríamos usar um método científico verdadeiro e testado para ajudar a fazer julgamentos lógicos: a revisão por pares. Vakoch ainda disse:

Quando falo com outros cientistas sobre fazer decisões a respeito as transmissões METI através do processo de revisão por pares, eles dizem: “Isto faz muito sentido”.  Por que criar um processo totalmente novo para a avaliação de projetos científicos quando a forma normal de fazer ciência já tem isto embutido?  Através do processo da revisão por pares, os cientistas podem avaliar ‘desapaixonadamente’ a proposta específica em suas frentes.

Vakoch disse que a revisão por pares também ajudaria os cientistas irem além do pensamento simplístico se vale a pena ou não executar o METI:

É importante avaliar o específico projeto METI que está sendo proposto, para ver se vale a pena implementá-lo.  Por exemplo, poderíamos testar uma versão da Hipótese do Zoológico, a qual declara que a inteligência extraterrestre pode ser muito mais difundida do que imaginamos – talvez habitando as até mesmo as estrelas próximas, mas que não estamos os escutando, porque eles requerem que tomemos a inciativa para fazer contato. Bem, podemos testar essa hipótese através da transmissão de sinais intencionais poderosos até estrelas mais próximas.  Ao longo de algumas poucas décadas, podemos ver, muito concretamente, se receberemos respostas.

Isto leva a Vakoch apontar que práticas e princípios científicos deveriam ser usados para ajudar a determinar os melhores métodos nos quais conduzir o METI.

Desde os meados da década de 1970, aproximadamente duas dúzias de mensagens foram enviadas para o cosmos. Estas foram uma só mensagem, enviada repetidamente para um alvo em específico no espaço. Vakoch disse que essa abordagem precisa ser modificada. Ele disse num anIdea City Talk no ano passado:

No SETI, quando vemos um sinal, e o vemos somente uma vez, isto não é convincente.  Se outras civilizações possuem o mesmo primeiro conceito que a ciência precisa para ser repetida e verificável, deveríamos estar transmitindo repetidamente, se for para isto ser levado de forma séria.

 

Além disso, proponentes do METI dizem que as mensagens deveriam ser direcionadas às estrelas em nossa própria vizinhança.

Por que? Por exemplo, em 1974 uma breve imagem simbólica foi transmitida em direção ao agrupamento de estrela M13, a aproximadamente 25.000 anos-luz daqui. Vakoch declarou:

Ao invés de enviar mensagens onde demoraria 50 mil anos para receber uma resposta, deveríamos enviar mensagens às estrelas mais próximas do que isto, mesmo se levar uma década ou duas para receber uma resposta; pelo menos isto seria durante o tempo de vida de uma pessoa. Dessa forma, você poderá realmente testar sua hipótese.

Além disso, já que o papel da ciência é o de testar hipóteses, Vakoch disse que através do METI poderíamos testar empiricamente várias ideias e teorias, tais como a Hipótese do Zoológico anteriormente mencionada, e várias outras explicações para o Paradoxo de Fermi, o qual especula que, se o Universo é cheio de raças e civilizações sofisticadas, por que ainda não recebemos notícias delas ainda?

Responder a essa questão – e receber uma resposta para nossa mensagem enviado ao cosmos – poderia ser um dos eventos mais profundos da história da humanidade.

Vakoch e aqueles que apoiam o METI esperam organizar os primeiros esforços para enviar mensagens intencionais, potentes e repetitivas aos sistemas estelares próximos, mas sabem que precisam fazer discussões científicas adicionais para que isto aconteça. Vakoch disse:

No METI International estamos comprometidos a encorajar um debate mais amplo sobre os prós e os contras das transmissões de mensagens intencionais ao espaço.

Ele explicou como o METI International recrutou um ilustre Conselho Consultivo de mais de 50 importantes estudiosos de 16 países, representando uma ampla gama de disciplinas nas ciências e artes, para fornecer discernimentos.  E haverá eventos e discussões disponíveis ao público.

Em 25 de março de 2017, haverá uma oficia de trabalho o dia todo na cidade de St. Louis, Missouri (EUA), a qual irá discutir sobre dois assuntos METI inter-relacionados. De acordo com Vakoch, os assuntos serão:

Primeiro, o quão detectável já é a vida na Terra – seja ela vida microbiana, ou tecnológica, vista através de nosso vazamento de radiação?  Em resumo, seria tarde demais para nos silenciarmos?  Segundo, como equilibraremos os riscos e benefícios do METI, e quais são os assuntos éticos e políticos relacionados?  Estes são assuntos profundamente científicos e técnicos, e também possuem um amplo impacto na sociedade.

Você enviaria uma mensagem para as civilizações alienígenas?  E se sua resposta é sim, o que você diria a eles?

 

n3m3

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