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Espaço do Leitor: Por que encontrar vida em Proxima Centauri B não será algo tão simples?

Na última semana, a comunidade científica ficou maravilhada com a descoberta de Proxima Centauri b, exoplaneta similar à Terra que orbita a estrela mais próxima da Terra, depois do Sol. Após esse maravilhoso anúncio, seguiu-se a questão natural: será que existe vida lá? O site The Verge publicou uma matéria (http://www.theverge.com/2016/8/25/12631216/proxima-centauri-planet-looking-for-life-oxygen-aliens) explicando por que a resposta a essa intrigante questão não será algo tão simples. Neste texto, vamos analisar os principais pontos do artigo.

Em primeiro lugar, “potencialmente habitável” não significa “habitável”. O exoplaneta pode ser uma terra árida, como Marte, ou um local tóxico, como Vênus. Evidentemente, a maneira mais simples de descobrirmos como o planeta é, de fato, seria tirarmos uma foto dele. Mas apesar de ele estar a “apenas” 4,2 anos-luz de distância, ainda não temos nenhum telescópio capaz de fazer essa imagem. Exatamente: todas as “fotos” de exoplanetas que você viu até agora não passam de representações artísticas. A primeira foto real de um exoplaneta (http://hypescience.com/foto-exoplaneta/) não mostra muitos detalhes do mesmo.

Logo, a descoberta desses corpos celestes se dá principalmente através de métodos indiretos, como medir a variação da luminosidade de uma estrela no momento em que um destes astros passa em frente a mesma e, desta forma, calcular suas distância e tamanho.

Renderização artística de Proxima Centauri b.

Renderização artística de Proxima Centauri b.

A principal forma de detectar vida em um exoplaneta seria analisar quais gases estão presentes em sua atmosfera. A melhor aposta dos cientistas seria estudar um exoplaneta que transita em frente a sua estrela, pois uma pequena fração da luz estelar passa através da atmosfera daquele mundo, e suas moléculas modificam o comprimento de onda da luz. No entanto, os astrônomos ainda não sabem se Proxima b transita: esse planeta foi encontrado a partir de outro método, que analisa os pequenos movimentos da estrela hospedeira, causados pela gravidade do corpo celeste. Para piorar, Proxima Centauri é uma estrela inconstante, cujo brilho aumenta constantemente, o que dificulta determinar se esse planeta, de fato, transita. Assim, os astrônomos poderiam observar a estrela em infravermelho, facilitando as medições necessárias. Mesmo que seja descoberto que o planeta não transita, uma derradeira tentativa seria tentar bloquear a luz da estrela, a fim de encontrar o planeta. No entanto, a maioria dos telescópios atuais não é capaz de fazer isso ainda.

Se, mesmo assim, fosse detectada uma atmosfera que possa sugerir a presença de vida, o próximo passo seria enviarmos uma sonda para lá. Mas uma viagem até nossa estrela mais próxima, com nossa tecnologia atual, demoraria dezenas de milhares de anos. O projeto Starshop (http://www.theverge.com/2016/4/16/11437598/alpha-centauri-starshot-project-stephen-hawking), por outro lado, está tentando enviar um nano satélite para aquele sistema impulsionado por um raio laser gigante, o que poderia resultar em uma viagem de apenas 20 anos, mas ainda há vários problemas a serem resolvidos, como miniaturizar um sistema de potência e de comunicações que possa transmitir fotos àquela distância.

De qualquer forma, a descoberta de vida em Proxima b seria a notícia do século, pois se for descoberta vida em Marte ou em Europa, será difícil convencer a comunidade científica de que essa vida se originou de forma independente da vida na Terra; por outro lado, isso seria uma quase certeza em outro sistema estelar.

Mas ainda há vários estudos a serem feitos. Outros cientistas precisam analisar os dados brutos e confirmarem que o novo planeta está, realmente, lá. Além disso, o planeta está mais próximo de sua estrela do que nós estamos do Sol, logo ele recebe muito mais radiação do que a gente. Por enquanto, a única certeza dos pesquisadores é que esse suposto planeta é rochoso, mas ainda não conhecemos as medidas exatas de seu raio e densidade.

  • André F. Machado
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