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Dez mil gerações se passaram. A nossa pode (re)encontrar uma civilização alienígena

Crédito da imagem da lua Titã de Saturno: James Estrin/New York Times

Tomei a liberdade de adicionar (re) ao título do artigo, pois de acordo com relatos indígenas e da literatura da antiguidade em todo o mundo, a raça humana já teve contato com civilizações alheias à este mundo.  Mesmo assim, vale a pena ler o artigo abaixo, que foi publicado no site www.dailygalaxy.com, e expressa a posição da ciência estabelecida quanto a possibilidade de agora encontrarmos tais civilizações.

Em 1960, o astrônomo Francis Drake apontou o rádio telescópio localizado em Green Bank, no estado de West Virginia (EUA), em direção a duas estrelas similares ao Sol, que estão a 11 anos luz de distância da Terra.  Sua esperança: captar sinais que provassem a existência da vida inteligente lá fora.  Cinquenta anos se passaram desde o experimento pioneiro de Drake e ainda não ouvimos os alienígenas.  Mas graças a uma gama de descobertas, a ideia de que a vida possa existir além da Terra agora parece ser mais plausível do que nunca.  Um fato é que aprendemos que a vida pode prosperar na maior parte dos ambientes extremos aqui na Terra – desde os oceanos infiltrados de gás metano e o gelo marinho da Antártica, até os rios de ácido e nossos desertos mais secos.

Também foi descoberto que a água no estado líquido não é exclusividade do nosso planeta.  A lua Encélado de Saturno e as luas Ganímedes e Europa de Júpiter contêm vastos oceanos abaixo de suas superfícies geladas.  Mesmo a maior lua de Saturno, Titã, pode ter algum tipo de vida em seus lagos e rios de metano-etano.  E também há a descoberta de exoplanetas, com mais de 1800 mundos alienígenas além do nosso Sistema Solar tendo sido identificados até agora.  De fato, os astrônomos estimam a existência de trilhões de planetas somente em nossa galáxia, um quinto dos quais podem ser como a Terra.  Como Carl Sagan disse: “O Universo é um lugar muito grande.  Se existir somente nós, parece ser um enorme desperdício de espaço.

Agora alguns cientistas acreditam que a caça por vida além da Terra pode retornar resultados durante esta geração.  “Foram 10.000 gerações de humanos antes de nós.  A nossa poderia ser a primeira a saber“, disse o astrônomo do SETI, Seth Shostak.  Mas o que acontecerá uma vez que confirmarmos este fato? Como lidaríamos com a descoberta?  E qual seria o impacto sobre a sociedade?  Esta temerosa questão foi o foco da conferência organizada setembro passado pelo Instituto de Astrobiologia da NASA e a Biblioteca do Congresso (USA).

Por dois dias, um grupo de cientistas, historiadores, filósofos e teólogos de todo o mundo exploraram a forma de como poderíamos nos preparar para a inevitável descoberta de vida – microbiana ou inteligente – em outras partes do Universo.  O simpósio teve como anfitrião Steven J. Dick, na Biblioteca do Congresso.  O vídeo da apresentação pode ser visto aqui:

É claro, o impacto da descoberta irá depender do cenário em específico.  Numa palestra intitulada ‘Current Approaches to Finding Life Beyond Earth, and What Happens If We Do‘ (Abordagens Atuais para Encontrar a Vida Além da Terra, e o Que Acontece Se Fizermos), Shostak descreve três maneiras – ou três “cavalos de corrida” – para encontrar a vida no espaço.  Primeiro, poderíamos encontrá-la próxima de nós, em nosso Sistema Solar.  O jipe-sonda Curiosity da NASA está atualmente fazendo uma varredura da superfície marciana por sinais de vida passada ou presente.  E a Europa Clipper, uma missão que irá até a lua gelada de Júpiter, agora está sob consideração.  Segundo, poderíamos “cheirá-la” na atmosfera de um exoplaneta, usando telescópios para procurar por gases, tais como o metano e oxigênio, os quais dariam uma pista sobre a existência de uma biosfera.  O Telescópio Espacial James Webb, a ser lançado em 2018, será capaz de conduzir este trabalho.

Encontrar a vida em nosso Sistema Solar, que provavelmente será microbiana, poderia não ter um impacto grande, tal como encontrar uma civilização inteligente longe de nos.  Teríamos que nos preocupar com assuntos tais como a contaminação.  Poderíamos também descobrir alguma bioquímica alternativa, talvez descobrindo novas ideias sobre a natureza da vida.  Mas esse tipo de descoberta não nos afetaria tanto quanto a prospecção da comunicação com vida inteligente.

Mas, demoraria centenas, senão milhares de anos para um sinal fazer uma viagem de ida e volta, Shostak lembrou.  Assim, aquele terceiro cenário somente nos ensinaria a poucas coisas de imediato, como sua localização, ou que tipo de estrela que eles orbitam.  Porém, captar um sinal poderia ter outras implicações tentadoras sobre a natureza da inteligência alienígena.

Vários pesquisadores, inclusive Shostek, apresentaram a seguinte premissa: “Uma vez que uma sociedade criar a tecnologia que poderia colocá-la em contato com o cosmos, ela está somente a algumas centenas e anos de distância da mudança de seu paradigma, de biológico para inteligência artificial.”  A ideia se baseia no assim chamado “argumento da escala de tempo” (time scale argument).  Muitos pesquisadores predizem que teremos desenvolvido uma inteligência artificial forte até 2050 aqui na Terra. – aproximadamente cem anos após a invenção dos computadores, ou cento e cinquenta anos após a invenção da comunicação por rádio.  “A questão é que, o tempo desde a invenção do rádio até a invenção de máquinas de pensar é muito curto – no máximo poucos séculos,” disse Shostak.  “A inteligência dominante no cosmos pode muito bem não ser biológica.

Na palestra intitulada “Alien Minds” (Mentes Alienígenas), Susan Schneider, uma professora de filosofia da Universidade de Connecticut, explorou a ideia mais adiante.  O conceito de “emulação total do cérebro” está se tornando popular de modo crescente entre certos pesquisadores, ela explicou.  Assim também estão outras ideias ilógicas, como “uploading de mentes” e “imortalidade”.  Assim, para ela, uma civilização capaz de comunicação a rádio provavelmente já teria se tornado “super inteligente” no momento que escutássemos dela.

A pesquisadora também argumentou que alienígenas super inteligentes seriam conscientes em princípio, já que o código neural é similar ao código computacional, e pensamentos poderiam muito bem ser embutidos num substrato com base em silício.  Uma inteligência baseada em silício também teria tremendas implicações para as longas distâncias das viagens espaciais.  Porém, um tema recorrente por toda a conferência foi o de estarmos cientes das tendências antropocêntricas.  Há uma grande lacuna entre a vida microbiana e a vida inteligente na Terra…

Lori Marino, uma neurocientista e atual diretora do Centro Kimela para a Advocacia Animal, argumentou desta forma na palestra intitulada “The Landscape of Intelligence” (A Paisagem da Inteligência).  Temos muito que aprender de outros seres inteligentes aqui na Terra (tais como os golfinhos) antes mesmo de pensarmos na comunicação com alienígenas.

No final das contas, as maiores implicações poderiam ser filosóficas.  Se acontecer de ser microbiana, complexa ou inteligente, encontrar a vida em outros lugares irá levantar questões intrigantes sobre o nosso lugar no cosmos.  Algumas apresentações, uma pelo teólogo Robin Lovin e outra pelo astrônomo do Vaticano Guy Consolmagno, até mesmo falaram a respeito do impacto potencial sobre as religiões do mundo.  Mas o que aconteceria se não encontrássemos nada logo, ou nunca?

A procura, por si própria, pode nos dar um senso de direção e nos ajudar a forjar uma identidade planetária, argumentou o filósofo Clement Vidal, numa palestra intitulada “Silent Impact” (Impacto Silencioso).  E se estivermos verdadeiramente sós, então deveríamos começar a cuidar melhor da vida aqui na Terra e contemplar nosso dever de colonização, disse ele.  Neste ínterim, a astrobiologia pode ajudar a estreitar o espaço entre as ciências e as humanidades, como muitos presentes enfatizaram.  E ela pode ser um passo na direção da integração do nosso conhecimento através de uma grande gama de disciplinas.

Assim, como nos preparamos para algo que conhecemos tão pouco?  Nos preparamos através da “continuidade da boa ciência, e também pela percepção de que a ciência não é metafisicamente neutra“, concluiu o anfitrião da conferência, Steven Dick. “Nos preparamos através do contínuo questionamento de nossas suposições sobre a natureza da vida e da inteligência.

n3m3

Fonte: www.dailygalaxy.com

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