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A humanidade mudaria se fosse confirmada a existência de extraterrestres?

Imagem: Josh Kao

Imagem: Josh Kao

O seguinte artigo, escrito por George Dvorsky, foi publicado no site io9.com:

Ainda temos que descobrir sinais de uma civilização alienígena – uma possibilidade que poderia literalmente mudar da noite para o dia.  Se isto acontecesse, nosso senso de nós mesmos e o nosso lugar no cosmos seria para sempre estremecido.  Isto poderia até mesmo mudar a história da humanidade.  Ou será que mudaria?

Na semana passada, Seth Shostack do Instituto SETI, fez uma declaração de que detectaremos uma civilização alienígena até 2040. Pessoalmente, eu não acredito que isso irá acontecer (por razões que eu poderei elucidar em um artigo futuro – mas o Paradoxo de Fermi é definitivamente um fator, como é o problema do recebimento de sinais coerentes de rádio através das distâncias estelares).  Mas isso me deixou imaginando: O que, se qualquer coisa, mudaria no desenvolvimento da nossa civilização, se tivéssemos prova definitiva de que extraterrestres inteligentes (ETIs) fossem reais?

Encontrando um mundo parecido como o nosso

À medida que eu pensei sobre isto, presumi um cenário com três elementos básicos.

Primeiro, que a humanidade faria esta descoberta histórica dentro dos próximos anos, aproximadamente.  Segundo, que na verdade não faríamos contato com a outra civilização. (somente a recepção, digamos, de uma transmissão de rádio…).  E terceiro, que o ETI em questão teria aproximadamente o mesmo nível de desenvolvimento tecnológico que o nosso (assim eles não seriam muito mais avançados do que nós.  Isto posto, se o sinal viesse de uma distância extrema, como centenas ou milhares de anos luz, estes alienígenas provavelmente teriam avançado muito agora.  Ou eles poderiam ter se extinguido, vítimas de um desastre auto infligido).

Eu levei esta questão para meu amigo e colega Milan Cirkovic.  Ele é um Pesquisador Associado sênior no Observatório Astronômico de Belgrado e um especialista no SETI.

Bem, esta é uma questão muito prática, não é?“, ele respondeu. “Porque as pessoas têm estado esperando algo assim desde 1960, quando o SETI foi lançado – ele realmente não esperava encontrar supercivilizações com bilhões de anos de idade, ou alguma bactéria estúpida.

Realmente, a filosofia base do SETI pelo curso de sua história de 50 anos tem sido a de que provavelmente encontraremos uma civilização mais ou menos igual à nossa – para o bem, ou para o mal.  E sem dúvida, em retrospectiva, isso começou a parecer “para o mal”, quando as esperanças de um sucesso já no início foram desapontadas.  Frank Drake e seus colegas pensaram que encontrariam sinais de ETIs muito rapidamente, mas este não foi o caso (embora o eco de Drake ainda possa ser escutado no otimismo de contato de Seth Shostak).

Implicações enormes

Algumas pessoas argumentam que um simples sinal não significaria muito para a humanidade“, adicionou Cirkovic, “mas eu acho que Carl Sagan, como sempre, tinha uma boa resposta para isto.

Especificamente, Sagan disse que a compreensão de que não somos únicos no universo teria implicações enormes para todos aqueles campos nos quais o antropocentrismo reina supremo.

O que significa, eu acho, metade de todas as ciências e aproximadamente 99% do outro discurso não científico“, disse Cirkovic.

Sagan também acreditava que a detecção e um sinal iria reacender o entusiasmo em geral, tanto em termos de pesquisa, como eventualmente na colonização do espaço.

Esse último ponto foi bem presciente, na verdade, porque na época que ele disse isso, não havia muito entusiasmo sobre isso e era muito menos viável e óbvio do que é hoje“, ele adicionou.

Sem dúvida, isto provavelmente geraria uma tremenda empolgação e entusiasmo para a exploração do espaço.  Além de nos expandirmos para o espaço, haveria um ímpeto adicional para irmos ao encontro deles.

Porém, ao mesmo tempo, alguns aqui na terra poderiam contra-argumentar que deveríamos ficar em casa e nos escondermos de civilizações potencialmente perigosas (ah, mas e se todos fizessem isto?).  Ironicamente, alguns poderiam até mesmo argumentar que deveríamos incrementar significativamente nossas tecnologias espacial e militar para podermos enfrentar ameaças alienígenas em potencial.

 Trajetórias de desenvolvimento

Em resposta à minha questão sobre a detecção de ETIs afetando a trajetória de desenvolvimento de civilizações, Circkovic respondeu que ambos os pontos de Sagan podem ser generalizados para qualquer civilização em seus primeiros estágios de desenvolvimento.

Ele acredita que a superação do preconceito sobre espécies, junto com um interesse constante e interação com o ambiente cósmico, devem ser desejáveis para quaisquer atores racionais, em qualquer lugar.  Mas Cirkivic diz que pode haver exceções – como espécies que emergem de ambientes radicalmente diferentes, por exemplo, das atmosferas de planetas Jovianos (como o planeta Júpiter).  Tais espécies provavelmente teriam uma falta de interesse no espaço ao redor, o qual seria invisível a eles por praticamente 99% do tempo.

Assim, se Sagan estiver certo, detectar uma civilização alienígena neste ponto de nossa história provavelmente seria uma boa coisa. Além de encorajar o desenvolvimento científico e tecnológico, também nos motivaria a explorar e colonizar o espaço.  E quem sabe, isto poderia também instigar mudanças culturais e políticas significativas (inclusive o advento de partidos políticos, tanto em suporte quanto em oposição a isto).  Isto até poderia nos levar à novas religiões, ou eliminá-las de uma vez.

Um outra possibilidade é a de que nada mudaria.  A vida na Terra seguiria como sempre, enquanto as pessoas trabalhariam e pagariam suas contas e manteriam os tetos por sobre suas cabeças.  Poderia haver um tipo de desapego a toda esta coisa, levando à uma certa ambivalência.

Porém, ao mesmo tempo, isto poderia trazer a histeria e a paranóia.  Ou até pior, e ironicamente, a detecção de uma civilização igual à nossa (ou qualquer vida menos avançada do que nós, por sinal) poderia ser usada para fomentar o Grande Filtro da Hipótese do Paradoxo de Fermi.  De acordo com Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, isto seria uma forte indicação de que nosso final nos espera, provavelmente num futuro próximo – um filtro que afeta todas as civilizações em nosso estágio tecnológico atual, ou próximo a ele.  A razão disso, diz Bostrom, é que na ausência de um Grande Filtro, a galáxia deveria agora estar fervilhando com ETIs super avançados. Que claramente não está.

Uau. Paradoxo de Fermi estúpido – sempre atrapalhado nossos planos futuros.

– George Dvorsky

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Será que a galáxia não está mesmo fervilhando com vida, mas somos tão estúpidos e orgulhosos que não conseguimos enxergar a um palmo na frente de nossos narizes?

 n3m3

Fonte: io9.com

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