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A ética do encontro com ETs

PlanetaDurante o Starship Congress, que ocorreu de 15 a 18 de agosto de 2013, na cidade de Dallas, TX – EUA, a discussão ficou focada na colonização espacial pela raça humana, finalmente nos tornando uma civilização interestelar.  Rapidamente ficou aparente que se você pensar em grande escala, ao longo de um enorme período de tempo, enviar a raça humana para explorar a galáxia não é uma noção de ficção científica, mas sim um imperativo evolucionário.

Mas vamos presumir por um minuto que iremos superar os enormes desafios tecnológicos de enviar naves até sistemas estelares vizinhos e do início de uma nova era de colonização galáctica.  Vamos presumir que a profunda questão “Estamos sós?” seja respondida.  Teremos então aberto caminho até as estrelas para encontrarmos que a vida é simplesmente uma complicação química e, dadas as condições certas, a biologia é possível por toda a parte.

À medida que ficamos face-a-face com nossos vizinhos extraterrestres, o que deveríamos fazer?

 

Preocupações Éticas

Numa fascinante discussão no Starship Congress, representantes de organizações interestelares ponderaram sobre as implicações éticas de se fazer o ‘primeiro contato’ com alienígenas – se estes forem considerados ‘inteligentes’ (ou pelo menos parecerem ter consciência), ou se eles estiverem na aurora de sua evolução como micro organismos unicelulares.

A construção de algum tipo de estrutura ética seria necessária e comparações foram feitas com a “Diretiva Principal” de Jornada nas Estrelas (Star Trek), que é usada no universo de ficção para prevenir a interferência cultural entre a avançada Federação e outras civilizações em desenvolvimento.  O quanto tal estrutura emprestaria da ficção científica? Ela seria mesmo necessária?

Les Johnson, diretor do Tennessee Valley Interstellar Workshop e gerente assistente do Escritório de Conceitos Avançados da NASA, no Centro de Voo Espacial George C. Marshal, em Huntsville, Alabama, delineou alguns critérios lógicos para os nossos descendentes interestelares se basearem, caso encontrem vida extraterrestre de qualquer tipo.

O primeiro critério deverá ser “aprenda o que puder antes de arriscar qualquer coisa,” disse ele.  O segundo, “se parece estar vivo, não mexa!“.  E o terceiro: “evite trazer amostras para seu mundo lar, porque eu não quero apostar que isso seja 100% incompatível com o nosso ecossistema“.

O terceiro critério foi discordado por Jim Benford, presidente da Microwave Sciences Inc. e coautor de “Starship Century”, argumentando que talvez não deveríamos despender muito tempo preocupados com a possibilidade de algum micróbio alienígena nos infectar, ou ser de alguma forma nocivo biologicamente para nós.  Ao invés disso, Benford argumenta que, caso encontrarmos um mundo alienígena, seria inevitável o fato de querermos montar postos avançados, a fim de conduzirmos nossas investigações científicas.  Caso interagíssemos com alguma biologia extraterrestre, seríamos tão diferentes, que é improvável a possibilidade de sermos impactados negativamente.

Mostrando exemplos da natureza terrestre, Johnson apontou que as espécies invasivas introduzidas nas regiões vulneráveis têm causado um enorme dano.  Com a falta de predadores, ou limitações ambientais, poderia uma espécie alienígena recém descoberta, trazida ao nosso meio ambiente, tomar conta ou ameaçar nossa sobrevivência?  Outros membros do painel apontaram que poderia não ser uma boa ideia trazer biologia extraterrestre para a Terra, só por garantia.

 

Aberto para Interpretação

Kelvin Long, co fundador do Instituto de Estudos Interestelares, com base no Reino Unido, apoiou a necessidade de normas interestelares a respeito do contato extraterrestre, mas também apontou que estas normas morais provavelmente serão interpretadas de forma diferente por diferentes indivíduos.  Porém, pelo estágio em nossa evolução, planetas análogos à Terra provavelmente seriam menos importantes para nossa sobrevivência – teríamos nos tornado mais como ‘habitantes do espaço’ do que ‘habitantes de planetas’.  Planetas com vida seriam assim mais de interesse científico do que um lugar para colonizarmos.

Não é nem o caso moral ou de sobrevivência do mais apto, mas sim o fato de que teríamos evoluído como uma sociedade que não precisaria competir [com as formas de vida indígenas],” disse Long.

Marc Millis, fundador da Fundação Tau Zero, foi realista sobre a natureza humana no espaço.  Apesar de obviamente estarmos evoluindo para uma raça interestelar capaz de se comunicar com outras formas de vida, ele também concordou que quaisquer normas éticas serão interpretadas de formas diferentes e será altamente provável que erros ocorrerão ao longo do caminho. “Certamente ocorrerão alguns eventos ruins e eles serão inevitáveis“, disse ele.

Richard Obousy, presidente e co fundador do Icarus Interestellar, foi direto com sua avaliação do futuro da humanidade no espaço interestelar, dizendo “Eu sou em prol do ser humano“.

Obousy concordou que deveríamos propagar para dentro da galáxia com princípios éticos sólidos “e deveríamos tratar as outras coisas que descobrirmos com compaixão”, mas no final ele quer o que é melhor para os humanos; o uso dos recursos de um planeta não deveria ser interrompido meramente pela presença de formas de vida básicas.  Porém, se encontramos vida alienígena em forma ciente, maior cuidado deverá ser tomado e o contato com as espécies deverá ser considerado somente se absolutamente necessário“.

Quanto a colonização dos mundos que contêm formas de vida básica, é menos provável que quiséssemos ficar lá por muito tempo. “Vivemos nas profundezas de um abismo gravitacional“, disse Obousy.  Presumindo que nossos descendentes interestelares tenham acesso às grandes quantidades de energia e recursos, “Eu não estou convencido que gostaríamos de ir de um abismo gravitacional para outro.  Não estou convencido que os assentamentos em planetas, ou mesmo luas, serão necessários”.

 

Colonizar, ou Não Colonizar?

Interessantemente, o economista financeiro e vencedor do “Alpha Centauri Award”, Armen Papazian, declarou que nossa política e nossa história têm distorcido o conceito de colonização e exploração.

Há uma questão linguística aqui, bem como uma questão histórica“, disse Papazian. “Muito do que entendemos em nosso psique quando dizemos ‘colonização’ no contexto de um mapa político tem sido tão carregado com eventos históricos específicos, que ‘colonização’ significa um monte de coisas diferentes ao redor do planeta“.

Finalmente, Papazian argumentou que precisamos compreender porque estamos explorando a galáxia, e se abordarmos isso com uma atitude iluminada, deveremos ser capazes de explorar pelas razões certas.  “Vamos abraçar ou vamos utilizar?  Estamos tentando exportar nossa economia da escassez?  Ou estamos tentando degustar o nosso abundante cosmos?” perguntou.

Ao final, Joe Ritter, engenheiro óptico da Universidade do Havaí, abordou a questão por intermédio de uma experiência pessoal.  Como morador de Maui, espécies invasivas têm causado muitos problemas para a pequena ilha, e o que é sagrado para os que moram na ilha não seria necessariamente compreendido pelas pessoas de fora.  Assim, ele duvidou o fato dos humanos terem a habilidade de não interferir com a vida alienígena (e seu meio ambiente), irrelevantemente se for vida consciente, ou não.

Na minha opinião, se formos iluminados, deixaremos isso quieto… Os humanos farão isso? Provavelmente não“, concluiu Ritter.

A questão de que se algum dia encontraremos formas de vida inteligente foi o tópico de muito debate por todo o Starship Congress.  Depois de tudo, a sorte pura de nos encontrarmos com uma civilização em estágio de desenvolvimento similar ao nosso será muito pequeno.  Talvez, quando fizermos o primeiro contato, nem mesmo estaremos cientes disso – a vida alienígena que encontrarmos pode ter tecnologias que nem mesmo reconheceremos como tal.  Ou poderemos velejar pelas vastas distâncias entre as estrelas e nunca encontramos nada que seja vagamente consciente.  Mas em um universo que parece ter oportunidades sem fim, parece muito provável que, quando nos tornarmos verdadeiramente interestelares, encontraremos outros exemplos de biologia em outros lugares de nossa galáxia.  Mas por agora, isso é só uma conjectura; a única evidência [oficial] de vida está aqui na Terra.

Mesmo assim seria bom vermos se há algum ser vivo lá fora. Talvez deveríamos construir uma espaçonave interestelar para descobrirmos.

Tradução: n3m3

Fonte: news.discovery.com

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