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Astrofísico diz que primeiros sinais de vida alienígena surgirão nos próximos 20 anos

Edwin Bergin: “…há esperança de uma detecção verdadeira nos próximos 20 anos“. (FOTO: Leonardo Wen/Folhapress )

A Folha de São Paulo publicou ontem (17) uma entrevista com Edwin Bergin, que trabalhou para o Instituto Smithsoniano de 1995 a 2003, e hoje é professor associado na Universidade de Michigan.

Bergin é um dos maiores especialistas em astrobiologia, que é o ramo da ciência que procura por sinais de vida extraterrestre.  Ele esteve no Brasil para participar de um curso do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Leia abaixo entrevista de Edwin Bergin por GIULIANA MIRANDA:

Folha – O sr. acredita que nós estamos próximos de encontrar o primeiro sinal de vida fora da Terra?
Edwin Bergin – A inferência de biologia em outro planeta irá levar algum tempo.
Hoje, se nós olharmos para outro mundo, em torno de uma estrela diferente, podemos dizer se achamos que ele é habitável. Com isso, queremos dizer que, se o tipo certo de planeta, um mundo rochoso, está na distância certa de uma estrela semelhante ao Sol, então as condições são perfeitas para ter água líquida na superfície.
Essa é uma inferência que agora precisa de confirmação. Por esse caminho, eu acredito que nós estamos próximos de inferir a possível presença de vida.
Com a próxima geração de telescópios que estamos tentando construir, há esperança de detectar a presença de água e de ozônio, que é um traço de oxigênio molecular. Na Terra, ele só é fabricado pela vida. Então, há esperança de uma detecção verdadeira nos próximos 20 anos.

Extremófilos [seres que se desenvolvem em ambientes inóspitos na Terra] são um dos mais importantes objetos de estudo da astrobiologia. Por que eles são tão importantes?
O fato de a vida na Terra ter encontrado maneiras de se adaptar e de sobreviver em ambientes extremos nos dá esperanças de que a vida possa ser igualmente versátil em outros lugares e que também possa estar presente.

A astrobiologia enfrentou um sério problema de credibilidade com a desastrada apresentação da “bactéria ET” da Nasa. O que deu errado ali?
Como cientistas, nós desejamos interagir com a esfera pública e dividir nosso conhecimento. A Nasa realmente faz um trabalho fantástico nesse sentido.
A ciência aceita a discussão e a argumentação sobre novas ideias. Isso é parte do processo mas, às vezes, é algo bagunçado. Quando isso acontece na esfera pública, torna-se ainda pior.
Quanto à divulgação específica da “bactéria ET”, eu me lembro de um comentário de um colega, que dizia que “alegações extraordinárias necessitam de evidências extraordinárias”. Talvez teria sido bom esperar mais.
Por outro lado, houve o excelente trabalho de continuidade que foi feito para explorar essa questão em detalhes.

O sr. teorizou que a água pode se formar rapidamente e em abundância na superfície de um planeta jovem e, depois, agir como um escudo protegendo o novo planeta da radiação estelar. Como isso funciona? Seria o suficiente para o desenvolvimento da vida?
Os planetas nascem em um disco rico em gás perto de suas estrelas. Ao longo da última década, nós aprendemos que o vapor d’água é muito abundante em discos pré-planetários jovens. A formação é tão rápida que a água poderia sobreviver na superfície do disco.
A implicação disso é que o vapor d’água pode proteger outras moléculas debaixo dele e permitir que elas se formem. A analogia para isso é a camada de ozônio da Terra, na qual o ozônio protege o planeta de raios ultravioleta.
Agora, quanto à vida, nesse estágio nós estamos discutindo apenas a formação de moléculas orgânicas simples que um dia podem ser incorporadas à biologia de algum ser, então isso é mais uma questão sobre o que acontece com a química antes de os planetas nascerem.
O quanto dessa química é preservado nos planetas jovens ainda permanece incerto. Nós acreditamos, porém, que a água foi formada em algum outro lugar e depois fornecida à jovem Terra. Então, nesse sentido, estudar a água no espaço é estudar a nossa própria origem.

O Brasil tem feito um bom trabalho na astrobiologia?
A comunidade é pequena, mas está crescendo. A importância é mesmo começar a incentivar a intercomunicação entre vários campos científicos, o que é difícil às vezes.

-por Giulinana Miranda

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Fonte: www1.folha.uol.com.br

Colaboração: Carlos de Abreu, Phlavious

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